Vila Nova de Milfontes
Tenho constatado que a minha terra encontra-se uns furos abaixo do que podia e devia estar.
Construção : Depois de anos e anos de construção a Terra “parou”, milhares de pedreiros, serventes, pintores, electricistas, fugiram para outras paragens, este problema afecta a terra não só a nível económico mas também social e cultural. Não é!? Nota-se os espertos que lucraram com o betão, alguns safaram-se outros nem por isso(algumas maroscas pelo meio como é normal neste país de “esfomeados”). Os novos apoios de praia estão como é sabido, todos tivemos oportunidade de ver na SIC. “Isto” é como tudo, o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Temos a grandiosa e gloriosa obra na marginal, um bloco de cimento que vem de acordo com o que de melhor se faz neste país. Nem tudo é rosas e há quem diga que a culpa é do cravo. Já se obrigava os donos dos dois Parques de Campismo existentes na Vila a construir um parque de estacionamento, porque há coisas que começam a ser demais. Vila Nova de Milfontes sempre recebeu grandes embarcações de recreio, um caís remodelado ou mesmo um novo ficava bem, nada de remendos, disso estamos fartos.
GNR : Existe um grande conflito entre a GNR local e os moradores, as queixas sucedem-se e caso rara excepções a coisa acalma. Quem nunca teve um problema com a GNR ou a GNR um problema com algum morador? As coisas são feitas com base no desenrasca, por exemplo: Estacionar o carrito à porta de casa em Março não é o mesmo que estacioná-lo em Julho, vai~se lá agora saber porquê. Sempre pensei que as leis fossem iguais em todos os meses do ano, mas na prática não o são.
Ambiente : Um grave problema que afecta a Vila, a Praia do Malhão é constantemente massacrada pelas descargas efectuadas em Sines, é gritante ver tamanha desorientação humana. A nossa Etar não fica atrás, o seu funcionamente é muito “fraquito”, o “tubinho” descarrega o seu líquido a escassos metros da costa. No rio as coisas melhoraram, já não se vê poios a boiar com se via em tempos. Com um, dois, ou três Resorts a caminho, os moradores arregalam os olhos aos euros dos bifes, ambiente vs carteira. Esperemos para ver.
Noite : Desde à uns anos que a Vila é conhecida pela sua “NIGHT”, é já normal ver adolescentes a altas horas de copo na mão, aos gritos, para não dizer, jogar à bola com pedras e acertar em carros, saltar ao trampolim em cima dos carros, ou até mesmo cantar serenatas à porta de pessoas que trabalham no dia seguinte. Para a Vila se tornar num verdadeiro farrobadó falta apenas os desenhos nas paredes que caracteriza já as zonas urbanas do país, resultado das…… (não se pode dizer, a República não o permite). Quem nunca esteve sentado à porta da Igreja a ouvir o som do Pacífico, quem nunca esteve sentado no poço do Sudoeste a ver as bezanas que de lá saem, quem nunca esteve sentado à porta do Azul em cima também do poço a beber uma mini, etc, etc, etc. Não podia deixar de referir a famosa Srª Maria Inácia e o seu estabelecimento aberto pela noite dentro.
Contrabando : Como é de conhecimento de todos nós, o contrabando abunda no Litoral Alentejano, há poucos anos alguns senhores da Guarda foram mesmo convidados a abandonar a sua profissão, resultado de umas ajudinhas em troca de uns bons ordenados extra. Percebo que “tenhamos” pena dos familiares que praticam estes actos , pois são muitas as famílias que possuem um membro pertencente a estas redes. O tabaco sempre foi a grande desculpa para a população aceitar este fenómeno, mas será apenas tabaco? Se for droga, armas, corpos??? Vamos ter pena? Pena de quem? Das famílias que tem pequenos a consumir droga, das famílias que vêem a sua vida devastada com o desaparecimento da filha ou da neta? Pena dos traficantes de armas que ajudam assassinos? Estamos a ficar muito brandos com estas pessoas que nos cruzamos diariamente.
PS: Uma nota para o desporto: Mete dó ver aquela obra muito recente para os lados das bombas de gasolina.
Até depois.
Cumprimentos.
Fonte: Quase desconhecida